Padrinhos Paparazzi, um sapato no ar e um casamento do jeito deles

Padrinhos Paparazzi, um sapato no ar e um casamento do jeito deles

Maria Clara & Damásio

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Maria Clara e Damásio (ou Juninho, como quase todo mundo chama) são daqueles casais que não precisam de muito discurso para se revelar. São empáticos, atentos ao outro, cheios de expressões verdadeiras.


O que mais me marcou neles foi a forma como conseguiram transformar o dia do casamento em algo muito próprio, muito deles, sem perder a beleza da tradição.

Um domingo na Igreja Matriz de Bebedouro

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Tudo começou num domingo, na Igreja Matriz de Bebedouro, a Igreja São João.
Assim que a missa termina, a família se organiza rapidamente para preparar a decoração da igreja. Nada exagerado: simples, elegante, caprichoso. Um cuidado que não grita, mas que se percebe nos detalhes.

Durante a cerimônia, são os olhares e sorrisos que conduzem a história.
Aquele nervoso bonito, misturado com alegria e alívio, aparece nas pequenas coisas:

  • um olhar que pede calma

  • um sorriso que devolve segurança

  • as mãos que se encontram quase instintivamente

É ali, no meio do rito, que o casamento começa a se transformar em memória.

Padrinhos-paparazzi e a saída em festa

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Na saída da igreja, a atmosfera muda de tom.
Os padrinhos recebem o casal com uma alegria quase barulhenta: abraços apertados, gritos, risadas, brincadeiras. Em poucos segundos, todos se transformam em verdadeiros paparazzi de Maria Clara e Juninho, celulares em mãos, cada um tentando guardar a sua versão daquele instante.

É bonito ver como, em volta deles, todo mundo quer um pedacinho daquele momento.
Não é só a saída da igreja. É o começo da festa, ainda ali na porta.

Mas antes, alguns minutos só deles

Depois desse turbilhão de abraços e registros na porta da igreja, nos dirigimos para a Fazenda Biju.

Antes de entrar de vez na recepção, onde todos os convidados aguardavam ansiosos, tivemos um pequeno respiro só com o casal. Foram poucos minutos, mas com um significado enorme.

Ali, em um cantinho mais silencioso da fazenda, fizemos as fotos de Maria Clara e Juninho juntos. Não era sobre poses rígidas, nem sobre montar uma cena perfeita. Era sobre permitir que eles se enxergassem como casal já no clima daquele lugar que receberia a festa.

Essas imagens têm um papel importante na narrativa do casamento.
Eu acredito que não se vive só de espontaneidade: também existem esses momentos em que o casal para, se olha, respira e se reconhece. As fotos desse instante, mais posadas, mais conscientes, ajudam a marcar esse “é aqui que estamos, é esse o nosso dia, é assim que queremos ser lembrados”.

Elas se tornam um contraponto bonito ao que viria depois na pista de dança: enquanto o sapato voa, a música cresce e a alegria toma conta, essas fotos guardam a calma, o encontro e a presença.

A recepção na Fazenda Biju

Quando chega o momento de entrar na recepção, na Fazenda Biju, o clima muda de novo.

Agora não é mais só sobre o casal e seus minutos de respiro.
É sobre ser recebido por quem veio para celebrar com eles.

Assim que Maria Clara e Juninho entram, os convidados os acolhem com muita festa: abraços que não economizam afeto, sorrisos largos, gente chamando pelo nome, taças erguidas. A música italiana toma conta do ambiente e dá um tom especial à recepção, quase como se a trilha sonora estivesse ajudando a contar essa história.

É aquele trecho do casamento em que a formalidade vai ficando mais distante, e a presença das pessoas ganha protagonismo. A alegria não é só deles dois — é compartilhada, espalhada em cada mesa, em cada brinde, em cada reencontro.

Quando um sapato voa e a festa muda de chave

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Um dos momentos mais marcantes — e uma das melhores fotos que já fiz em casamento — nasce de um gesto simples da Maria Clara.

Ela não decidiu que a festa seria intensa sentando-se com calma para tirar o sapato, como vemos tantas vezes.
Não havia cadeira preparada, nem pausa formal.

No meio da pista de dança, com a música alta, copo em uma mão, ela simplesmente puxa o sapato com a outra e o arremessa para longe.

Esse instante, congelado na foto, é quase um anúncio silencioso:

“Daqui pra frente, é para viver de verdade.”

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A partir dali, a festa se transforma num fluxo de sorrisos, abraços e momentos que ninguém conseguiria planejar.
Juninho vira praticamente um astro do rock: é levantado pelos amigos, comemorado, carregado no alto com uma energia que é pura amizade em movimento.

Um buquê dividido e a leveza do improviso

Até o buquê, que em tantos casamentos vira disputa, ganhou um desfecho diferente.
Em vez de briga, correria ou tensão, ele foi dividido ao meio, amigavelmente. Risos, combinações rápidas, tudo resolvido com leveza.

Sem empurra-empurra, sem desconforto.
Graças a Deus, só alegria, partilha e amizade.

Esse tipo de gesto — um sapato jogado no ar, um buquê repartido — fala muito sobre o jeito como Maria Clara e Juninho escolheram viver o casamento: com uma cerimônia linda, respeitosa, mas sem perder a liberdade de dar o próprio tom à festa.

Entre o protocolo e o que nasce sozinho

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Esse casamento faz pensar em como, muitas vezes, o casamento é tratado como algo rígido, engessado, apenas formal.

Aqui, não foi assim.

Eles tiveram uma cerimônia bonita, intensa, carregada de significado. Honraram o momento, a família, a fé. Mas, ao mesmo tempo, encontraram espaço para ser quem são de verdade: rindo alto, improvisando, deixando a festa respirar.

Descrever cada foto daquele dia seria quase impossível. E, de certa forma, nem seria justo.
As imagens existem, foram vividas, sentidas. Elas estão ali para falar por si.

O que fica na memória é esse gesto que parece pequeno — Maria Clara, no meio da pista, copo em uma mão, o sapato voando pela outra — abrindo caminho para uma noite em que a formalidade cede espaço para a verdade.

Seu casamento, do seu jeito

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No fundo, esse dia deixa um recado importante:

O seu casamento pode ser do seu jeito.

Com cerimônia tradicional ou não.
Com rito religioso ou civil.
Com fotos posadas, protocolares, porque elas são parte da história.

Mas, principalmente, com espaço para os momentos espontâneos — esses que não aparecem no roteiro, mas dizem tanto sobre quem vocês são.

Como fotógrafo, meu olhar se firma nesses instantes:
no sapato que voa, na risada que quase derruba, no buquê repartido em paz…
e também naqueles minutos rápidos em que o casal respira antes de entrar na festa.

São essas cenas que, quando o tempo passar, vão continuar fazendo sentido.
Memórias que permanecem, herança afetiva em forma de imagem… e também de história.